26 setembro 2017

Pé ante pé

Vou caminhando dia a dia, construindo a estrada que irá com certeza trazer a minha independência motora. Devagar, mas estou a conseguir e fico contente em cada vitória que alcanço, por mais que seja pequena aos olhos dos outros, para mim será sempre uma enorme conquista importante e por isto agradeço aos céus por esta força que me assiste e guia todos os dias.

Todos os dias acordo com vontade de melhorar mais e com o meu empenho e dos terapeutas, tenho visto resultados bastante satisfatórios. Trabalho todos os dias, trabalho muito em casa e no ginásio, enfim estou quase sempre focada em melhorar e a trabalhar para mim. É também um modo de retribuir o amor e empenho por aqueles que apostam na minha independência e que acreditam na minha capacidade, porque eu acredito em recuperar e ter uma vida independente, meus amigos, pois se não acreditasse, nada seria possível.

Estou numa fase bastante satisfatória, comecei a ter muito mais representação do meu corpo no mapa do meu cérebro, já falei acerca desta representação e m textos postados anteriormente, cujos se quiserem consultar, os leitores mais curiosos podem consultar e eu agradeço, porque deste modo ficarão mais elucidados sobre esta matéria. Com os olhos tapados e em pé, dentro de um ginásio com alguns obstáculos, consigo quase de imediato identificar o sítio onde estou (anteriormente, ficava completamente perdida, sem noção de onde estava). O mesmo acontece quando ando de joelhos e de gatas, o propósito deste exercício é o equilíbrio, a concentração, fortalecer os músculos, refazer o planeamento do movimento, ajudar a construir o mapa do cérebro fazendo com que haja harmonia e coordenação nos meus movimentos. Realmente tem dado bons resultados ao longo do tempo e fico contente e valorizo cada aprendizagem que o chefinho, o cérebro, retém.

Atualmente, consigo andar sozinha com a mão apoiada na parede, utilizando-a como referência para o meu cérebro conseguir posicionar o meu corpo, algo que era impossível há cerca de pouco tempo atrás. Isto demonstra que tenho mais equilíbrio e controlo nos meus movimentos e isto dá-me vontade de prosseguir porque sinto francas melhoras, todos os dias, para mim esta vitória é muito valiosa, valendo muito mais do que um pote cheio de ouro, mas muito mais mesmo. Desta forma, começo a avistar a minha independência motora mais próxima, sei também que muitos não dão o verdadeiro valor a estas pequenas vitórias, mas eu dou muito valor. Nesta fase da minha vida, já passei por muitas perdas e ganhos, o que fez com que eu deixasse de me preocupar tanto com a opinião alheia, mas nem sempre fui assim diante os outros, acho que é apenas por pensar mais em mim.

Atualmente, sei que posso mesmo atravessar o rio para a outra margem, mesmo tendo correntes fortes ou sendo mais profundo, pois tenho a certeza que vou encontrar um trajeto mais tranquilo em que possa atravessar calmamente. Desfrutar de um enorme campo aberto e vencer ainda mais batalhas, uma de cada vez, alcançando a minha vitória podendo passear livremente sobre este, até as forças me acompanharem, mas sei que estou bem acompanhada por todos os meus guias e não só, e por isso agradeço ao universo.


Patrícia Arsénio

04 agosto 2017

Tic tac, tic tac

O relógio não para de contar o tempo, o sol continua a brilhar todos os dias. A amiga lua também brilha lá no alto, mesmo que as nuvens a tentem esconder, esta continua a brilhar, até mesmo no outro lado do planeta e também nos pólos. Estes astros estão sempre presentes, dando o ar da sua graça, mesmo timidamente.

Continuo com perseverança, dedicação a construir pedra a pedra a estrada da minha vida, com atalhos, a trancar caminhos e a abrir outros, de maneira que caiam sobre mim inúmeras pétalas de rosas vermelhas, amarelas e sobretudo brancas para abençoar esta estrada à medida que vou pisando cada pedra do caminho, de forma a alcançar totalmente a minha independência motora. Realmente tenho colhido e acariciado suavemente cada pétala que cai sobre o meu rosto e sobre o meu corpo, seu toque carinhoso dá-me alento e esperança para prosseguir o caminho da reabilitação cada vez mais amiúde. Isto dá-me paz interior, esperança e força para aceitar sem resignar os fatos que estão bem presentes em cada dia que nasce o sol, brilha em cada amanhecer, ajudando-me a erguer a minha espada em punho para enfrentar de peito aberto cada novo dia, meus amigos. Agradeço ao universo esta força que me conduz e à minha essência de guerreira da paz e do amor.

Tic tac, tic tac, os ponteiros do relógio não param de girar, o tempo, este grande senhor, é quem nos conduz no palco da vida, onde existe a opção, feita por nós, de ser um mero espetador ou participar ativamente na peça da vida, meus amigos.


Patrícia Arsénio



Rosas encantadas no meu caminho

Na estrada da vida, com os tropeções e ressaltos evitáveis ou talvez não, tento sempre seguir em linha reta e, deste modo, tento encontrar dentro de mim aquilo que me dá coragem para prosseguir o caminho. Encontro o amor ao próximo, gratidão aos que estão comigo neste barco e também aqueles que não estão, afinal de contas não podemos agradar a gregos e a troianos como reza a história.

O caminho é repleto de espinhos de rosa, mas mesmo assim prossigo em frente tentando somente sentir o seu aroma, tentando que este fique bem presente na minha vida, tentando caminhar em frente para procurar e alcançar novos caminhos que me levam à construção da minha estrada interior, tento estar cheia de amor, paz e harmonia em meu redor, no entanto, conseguir a plenitude não depende só de nós.

Tento não fazer juízos de valor e nem sequer julgar alguém, pois acho que cada um de nós tem os seus valores. Estes são diferentes para cada indivíduo e também aceito essas diferenças. Não acho que existem pessoas más, estas somente ainda não acordaram para o verdadeiro sentido da vida, procurando no seu interior o despertador do amor, o seu relógio está a trabalhar, mas no compasso de seu ego superior e apenas a pensar nelas próprias. Mais uma vez, o senhor tempo poderá ou não estar presente para enviar a fatura dos seus comportamentos, havendo sempre quem se recuse a fazer esta aprendizagem, não dando importância e alguns nem dão relevância a este fato, porque o seu despertar interno ainda não despertou realmente, mas cada um é como é, e a nossa escolha passa por querer que estas pessoas participem ou não na nossa vida, esta escolha é minha, aliás é muito nossa.

Noto que com o avançar da minha idade, talvez porque já tive algumas deceções ao longo do meu caminho, não sou amarga e não estou zangada com a vida. Tento tirar partido dos momentos felizes em que estou realmente bem, e estes momentos são bastantes, para isso basta aceitar a minha condição. Acredito piamente que sou guiada por forças superiores que conduzem a minha vida todos os dias, não me deixando desistir da minha caminhada. Sigo por uma estrada coberta por um tapete abençoado de rosas com todas as cores do arco-íris, dando verdadeiro sentido e orientação para a minha essência de guerreira, erguendo a espada para encontrar a paz interior e encontrar os trilhos que conduzem à união e ao equilíbrio.

Não pretendo atingir ninguém com este pensamento, mas porém apeteceu-me escrever este texto, apontando e direcionando o arco e as minhas setas de rosas brancas no alvo certeiro dentro do coração de quem sente mágoa dentro de seu interior. Este é um sentimento mesquinho que quando guardado dentro dos nossos corações nos corrói, aniquila e destrói a nossa paz interior.


Patrícia Arsénio


12 julho 2017

Caminho Certeiro!

Estou a caminhar na estrada, ou talvez esta me conduza, ou então talvez seja conduzida pelo senhor Tempo. Sempre atento com um olhar de falcão focado nas investidas que faço na minha reabilitação física e estou, deste modo, agradecida. Para mim, a meta da independência é para ontem, meus amigos. Acho que é muito natural que pense deste modo, pois de certo modo existe um mundo que não experienciei quando me foquei somente em recuperar. Não o podia ter feito de outra forma, pois a vida ofertou-me com esta paragem e mudança de planos para talvez me obrigar e pensar o que é realmente importante e quais os valores mesmo importantes nesta nossa vidinha.

Não que os meus valores estivessem errados pois acho que sempre fui do bem, a educação que recebi de meus pais foi respeitar sempre o próximo e a mim própria. O amor está sempre presente no meu caminho e na estrada em que caminho, sempre com um sorriso no rosto. Tento dar o melhor que existe em mim e também dou aos que fazem parte deste percurso, estando presentes ou não na minha vida.

Não me estou a queixar e nem pretendo fazer o papel da vítima ou da coitadinha, porque esse papel não faz parte da minha essência de todo, pelo contrário, tento abrir caminho e ir a jogo, em cada dia que a lua nasce, dando o seu lugar ao astro rei, o sol.

Existem dias que quebro, não quero esta vida para mim, não me apetece nada mais um dia de luta, fico impaciente, tendo vontade de mandar tudo à fava, mas depois e logo quase no instante seguinte esse pensamento desvanece dando origem a uma força indomável que cresce dentro de mim, a força de um guerreiro que tem vencido tantas batalhas, que com a sua persistência, no tempo certo, irá vencer assim como São Jorge lutou e venceu o dragão e a guerra.

Por isto tudo agradeço e louvo aos céus a força que Deus me deu, acreditando estar abençoada por esta força divina.

Mais um desabafo de Patrícia Arsénio.


24 janeiro 2017

Bastar querer!

Basta querer e acontece.
Basta querer muito.
Basta colocar amor em nosso redor.
Basta pensar positivo.
Basta achar a nossa essência e não tentar negar o que somos.
Basta aceitar.
Basta conseguir a serenidade nas batalhas que nos deparamos.
Basta crescer.

Basta andar pelo caminho em estrada reta, sem desvios e quando os houver, escolher com determinação aquele que se adapta às nossas necessidades, e se errarmos, pelo menos fomos a jogo e aprendemos sempre algo positivo, o facto de aprendermos a fazer as coisas de outro modo, é uma aprendizagem muito valiosa.

Basta confiar que existe o tempo certo porque os ponteiros do relógio não param de girar, apenas quando nos favorece.

Basta agradecer sempre por mais um dia, seja bom ou mau, é apenas mais um em que crescemos e ganhamos maturidade.

Basta acreditar na esperança porque ela existe mesmo, assim como sabemos que a lua e o sol nascem todos os dias.

Basta acreditar que podemos mudar a linha do pensamento, autodestruir a dor, mudar o discurso típico da vítima e do patinho feio.
Basta acreditar simplesmente que podemos, com um passo de cada vez em frente, construirmos o nosso caminho em cada luta que nasce e em cada instante que vivemos.

Enfim, basta desligar o complicómetro que criamos nos nossos pensamentos, e viver com amor e com sentimentos nobres. Assim, ficamos livres para abraçar o mundo que nos cerca, sem restrições. Pensar e acreditar que a água das fontes, dos rios corre sempre para o mar, por mais difícil que sejam os seus caminhos, o mar, a mãe da água, acolhe-os, sem julgar quais os percursos que os seus filhos traçaram.

Este é apenas mais um pensamento que resolvi colocar em papel, mais um entre tantos, sei que não é fácil de construir e realizar, mas cabe a cada um escolher a forma como vive e convive com a estrada da vida, a cada momento, a cada instante, ao longo do nosso percurso, porque a escolha é sempre nossa.


26 outubro 2016

Agora!

Agora o tempo urge e está no tempo de arregaçar ainda mais as mangas. Em cada compasso dos ponteiros do relógio é urgente ganhar mais coragem para o enfrentar e, além disto, ter mais paciência para vencer cada batalha, uma de cada vez, com amor e rosas brancas como munição.

Não, não é nada fácil o enfrentar todos os dias e deparar-me com esta minha realidade de dependência, não nego esta minha tristeza interna. Tento em cada dia que nasce, sempre que o sol adormece no horizonte e em cada lua que nasce, agradecer e pedir forças para continuar o caminho que me foi ofertado pelo destino. Não fui eu, de todo, que determinei este caminho, mas mesmo assim, continuo grata por esta caminhada que Deus me deu. Contínuo a poder ver as pessoas que amo tanto a crescer e a vencer na vida, construindo os seus castelos, pedra após pedra, a ver as suas vitórias e aplaudindo em pé, a torcer e a gritar por eles. Sei que é genuinamente recíproco, mas mesmo que não o fosse, eu iria aplaudir na mesma, porque eu sou assim, gosto de ver e semear muito amor em meu redor, meus amigos.

Agora, tento saborear as pequenas grandes coisas, de uma forma mais lenta e tentando apagar o fogo dos meus desatinos interiores, ao compasso de uma nascente de água límpida, que surge de uma pequena pedra rochosa, que percorre os lagos, rios às vezes profundos, às vezes muito rápidos e por vezes quase parados. Assim, deste modo, apago os pequenos fogos interiores com a energia das águas, bastando e somente estar perto ou imaginar tamanho cenário deslumbrante da passagem das águas até ao regaço da mãe maior, o mar, e acreditar na forças das mesmas. Também gosto de imaginar um campo aberto de girassóis a acompanhar o sol, desde quando este nasce até quando adormece no horizonte.

Agora, talvez esteja mesmo a ficar “cota”, agora parece que estou a perder as pilhas. Contínuo a querer cada vez mais ser uma pessoa com muita calma e a não querer tudo para ontem, como era, e por vezes, ainda o sou, confesso. Tento ser como um girassol, esta linda flor, que todos os dias acompanha o sol, seguindo a sua energia em cada novo amanhecer. Deste modo, quero que o meu percurso abençoado, assim como o de todos os girassóis, seja vivido um dia de cada vez e no tempo certo, contudo tenho a noção que este exercício é bastante complicado para mim e para a minha essência.

Quero viver um caminho repleto de luz em meu coração, é isto que quero para mim.



Patrícia Arsénio


10 outubro 2016

Estranho, mas bom!


Vou escrever sobre a minha espasticidade. O meu tónus muscular tem realmente diminuído e tem feito os seus ajustes com o exercício que faço diariamente, em casa e no ginásio, porque, meus amigos, eu trabalho mesmo. Trabalho por opção e não para fazer vontades a ninguém, trabalho porque quero e tenho vontade em melhorar e colher frutos maduros e sumarentos todos os dias. Realmente colho bons frutos, às vezes, uns mais maduros do que outros, mas enfim, todos numa cesta de verga não se dá pela diferença, apenas ao provar se sabe se os frutos são bons. O tempo é soberano nesta questão porque este senhor é quem dita as regras desta minha caminhada e a rege ao seu compasso em cada dia que amanhece até que adormece, ano após ano girando como uma nora de um rio, como uma roda de um moinho, estes dois só param quando não houver mais água nem vento. Faço questão que esses elementos estejam bem presentes no meu caminho que trilho, todos os dias, a água para me acalmar e o vento para me impulsionar para a frente sem recuos.

Agora tenho de aprender a andar sozinha porque o meu cérebro desaprendeu e o único modo de aprender é trabalhar todos os santos dias para tentar recuperar a informação do meu computador que fez reset.


Todos os dias gravo alguma informação, todos os dias existem novas células no chefinho que aprendem e por isso não desisto. Embora este trabalho seja um bocado ingrato, não dá resultados de imediato, eu sei muito bem disso. Enquanto eu e os meus pais tivermos forças, eu não quebro. Acho que vou buscar estas forças onde qualquer ser humano em desespero vai buscar conforto, à fé, em que existem forças superiores, os meus amiguinhos que me guiam e protegem sempre.

Contudo, como estava habituada a um registo de espasticidade mais acentuado, ainda me faz um bocado de confusão ter o ponto de equilíbrio mais para a frente, é estranho, parece que estou no limite do equilíbrio, mas não estou. Apenas tenho o peso e a transferência de peso no local correto e isto é um passo muito importante nesta fase, por isso é muito bom, mas muito estranho.

Patrícia Arsénio


17 agosto 2016

Mais vitórias!

Aos meus leitores que seguem o meu blogue pandora-ogum desde o início, estou francamente mais fortalecida, tanto fisicamente como espiritualmente. Agora começo a ver o fim à meada, começo a sentir o meu corpo a responder aos estímulos, cada vez mais rapidamente, e isto dá-me mais alento para continuar a trabalhar cada vez mais.

Eu tenho a perfeita noção que não vai ser de um dia para o outro que vou começar a caminhar livremente sozinha, mas tenho de acreditar que consigo mesmo. Treino e mais treino, o resto é perseverança, tranquilidade e acreditar em mim, confiar sempre, mas sempre, que forças superiores me guiam todos os ditas, como as forças do fogo, da terra, da água e do ar.
O fogo impulsiona, faz-nos sentir vivos, aliás basta pensar na pujança de um vulcão a cuspir fogo, na energia de um dia repleto de Sol. O fogo é o motor de ignição da vida, é este que inicia tudo o que nos rodeia. Contudo, este não é menos válido, do que, o que a terra nos oferece, do que a água que corre nas nascentes e desmaia nas encostas, alimentando os rios e os mares deste nosso lindo planeta azul. E por fim, do que o ar, não menos importante, este está sempre presente. E claro é fundamental que estes elementos deem as mãos com harmonia.

O Tempo, este senhor encarrega-se deste lindo casamento da mãe natureza, quase me atreveria a dizer que é a combinação perfeita, contudo têm as suas divergências, mas estão sempre unidos para a eternidade.
Pois claro, já me estou a escrever demais, afastando-me do verdadeiro motivo deste texto, mais uma vez fugiu-me as mãos para falar acerca da mãe natureza como uma alavanca de equilíbrio. Contudo, ela própria também tem os seus desequilíbrios, tal como nós, assim como a natureza tenta se equilibrar todos os dias. Também acho que cabe a cada um de nós encontrar o seu próprio equilíbrio, da forma e da maneira que acha mais adequado. No entanto, nunca, mas nunca, pisar nas costas do outro para subir outro degrau, porque mais uma vez entra em ação o senhor Tempo para fazer os seus ajustes e este é implacável e soberano.

Agora de volta para a minha longa e dura reabilitação, como escrevi num dos parágrafos anteriores, tudo parece fluir naturalmente, os movimentos estão mais automáticos, a motricidade fina melhorou, em relação a andar de joelhos e rastejar no tapete melhorei muito, andar de gatas tornou-se canja. Enfim, todos estes exercícios ficaram mais harmoniosos, mas tenho consciência que tenho de trabalhar muito, mas muito mais, para poder alcançar o topo da montanha da minha vida, que deu uma enorme reviravolta. Aquilo que depender só de mim, assim será.


Continuo nesta luta para ter as rédeas da minha vidinha de volta, enquanto a minha família estiver sempre comigo, e com certeza estará sem restrições e incondicionalmente. Em seguida, encontram-se algumas fotos que mostram parte do meu trabalho diário, que me permite melhorar fisicamente.
Todo este trabalho envolve o empenho dos meus terapeutas, o meu e dos meus familiares, não pretendo demonstrar nada a ninguém, apenas dar a conhecer um pouco do meu trabalho diário a quem segue atentamente as minhas publicações. 

Muito obrigado aos leitores que de certa forma ajudam-me a superar este meu estado, dando-me ainda mais força para prosseguir os meus trilhos.

Patrícia Arsénio

09 maio 2016

Consciência corporal

Mais uma vez estou a ser desafiada na fisioterapia para ter mais representação corporal. É mais um lance de escadas que estou a subir para chegar ao topo do arranha-céus que pretendo passear em seu imenso terraço amplo e ter uma vista maravilhosa, contemplar uma vista com enormes jardins, com enormes campos abertos repletos de flores com todas as cores do arco-íris. Quem sabe, poderei achar a verdadeira direção e traçar também o sentido para a minha reabilitação, porque eu acredito mesmo nela, sem dúvidas nenhumas. Enquanto eu acreditar, e quem está comigo nesta longa estrada também acreditar, tiver recursos monetários, saúde e amor, eu acho que tudo é possível, escrevo isto porque já venci tantas batalhas, que acho que era uma pena após tantas conquistas morrer na praia, e por isto enquanto depender só de mim não desistirei nunca, porque faz parte da minha essência.

Estou aqui com esta conversa toda, afastando-me do tema inicial que me propus relatar, que é acerca da consciência corporal e como a tenho alcançado.

Anteriormente falei acerca da representação do corpo no cérebro e como esta representação é imprescindível e necessária para haver qualquer movimento dos músculos, não basta sentir e ter força, os mesmos têm de ser comandados pelo chefinho, este é que comanda tudo, os movimentos, as ações e reações, as nossas emoções, a nossa postura para enfrentar as adversidades e também nos momentos de tristeza e nos momentos de felicidade. Esta é uma máquina tão perfeita e tão capaz de reagir e interagir com as situações do dia-a-dia, atuando de modo diferente para cada indivíduo, enfim afinal de contas somos todos iguais mas todos diferentes, sobretudo no campo emocional.

Agora vou relatar o trabalho que realizo diariamente na fisioterapia, este é apenas um dos trabalhos que fazemos. No ginásio cujo chão está coberto de colchões, dispostos ao longo da sala de forma simétrica, eu encontro-me com uma venda nos olhos e de joelhos ou em pé tenho que me dirigir aos vários obstáculos que são colocados na sala, conforme o meu fisioterapeuta me pede. Tenho que ter noção do local da sala onde me encontro e memorizar o trajeto.

A sala tem cinco paredes, duas portas e uma enorme janela, um step, uma cadeira, um saco de boxe fixo ao chão e por vezes o terapeuta coloca uma corda e uns pinos no chão para ter referências, uma vez que estou com os olhos tapados, este exercício é bastante complicado para mim e no início cheguei a desesperar, atualmente já não é tanto assim, com a repetição tornou-se mais fácil, até o terapeuta começar a complicar os percursos, é um trabalho muito importante e necessário.

Este trabalho é deveras muito importante, uma vez que tenho os olhos vendados, permite que os outros sentidos fiquem mais atentos e a concentração aumenta bastante, mas é um mal necessário e o esforço é tanto que quase sempre fico atordoada ao fim de algum tempo.

No início desta atividade, há algum tempo, os terapeutas colocavam-me a venda nos olhos e eu perdia-me quase imediatamente na sala, perdendo a noção onde estava, se estava a andar de gatas para a esquerda ou para a direita. A minha perceção era que andava constantemente às voltas a deslocar-me para a esquerda, não conseguia andar em linha reta, não tinha a noção do lado direito, era como se esta parte do meu corpo não existisse apesar de eu ter a sensibilidade normal. A minha consciência do meu corpo foi aumentando com as atividades pedidas, de tal modo que fui tendo uma maior representação cerebral do meu corpo e uma melhor noção dos meus movimentos. Assim, a minha cabeça fez reset e agora tem de ser reprogramada desde o inicio, aprender todos os movimentos com a repetição do movimento, de modo não inato. Isto é, as células do cérebro destinadas ao movimento morreram, estas não se regeneram como por exemplo um osso partido que ao fim de umas semanas está firme, nas lesões cerebrais isto não acontece, estas quando morrem, morrem mesmo. O que acontece é que o nosso cérebro tem plasticidade suficiente para as células que estão ao lado daquelas que faziam o movimento, quando são estimuladas com movimento, ao fim de um tempo, também aprendem o movimento, é como uma colagem de retalhos nada fácil, em que cada retalho tem de ser devidamente remendado e é preciso muita paciência.


Bem, acho que já estou a ser chata com esta conversa toda, mas é um facto assente, vivo as minhas dificuldades diariamente e encaro-as como fazendo parte de mim, continuando a vencer todos os dias pequenas conquistas, tentando dar um sentido a esta passagem pela vida do modo que sei e tentando sempre dar o melhor de mim, espalhando e colocando uma energia otimista, com esperança e semeando o melhor que existe na minha pessoa. Apesar de a minha vida ter dado um volta de 180o, estou de bem com a vida, aceito e tenho a certeza que vou sempre subir os degraus do arranha-céus e desfrutar de uma vista repleta de flores de todas as cores do arco-íris ao longo desta vida e espalhando sempre amor por aqueles que estão comigo e também que não estão nesta caminhada que me foi imposta pela vida.

Patrícia Arsérnio



21 setembro 2015

Aceitar

Aceitar a vida como ela é, tornam mais claras e tranquilas as situações da vida e clarifica tudo em redor, quando digo aceitar, não quero dizer ficar inerte, sem reação, à espera, pelo contrário, tem de haver uma reação, um impulso. As nossas escolhas podem condicionar a nossa vidinha, que tem umas costas enormes e largas para os nossos atos, ao aceitarmos a vida como ela é, isso pode aliviar as nossas escolhas.

Na minha opinião, as escolhas que se fazem, os caminhos que trilhamos, são da nossa responsabilidade e mais uma vez é a nossa escolha, mesmo que por vezes, seja necessário escolher o caminho mais longo e mais difícil, mas mesmo assim é a nossa escolha, e muitas das vezes somos empurrados pela teimosia, orgulho e altivez, por vezes, temos de nos colocar no lugar do outro e avaliar a questão, mas nunca julgar, mas nunca mesmo.

Quando escrevo acerca do ato de aceitar, também tenho a perfeita noção de que não é o mesmo que resignar aos fatos com um olhar cego, porque até o cego pode sentir, alcançar e observar de modo mais perspicaz e mais fino, porque basta sentir e estar atento aos alertas vindos do espaço que o rodeia, e com muita intuição mesmo quase, quase como se os seus olhos vissem realmente, tudo em seu redor fica mais claro, sentindo os aromas mais apurados, os sons mais finos, o seu corpo reage como reflexo dos movimentos, em suma se aceitarmos a vida como uma segunda ou terceira oportunidade, ou as vezes que forem necessárias, ela acaba por passar uma enorme rasteira de sorriso aberto e sincero, tudo fluí naturalmente, com retorno em mais amor e alegria, como se fosse dada uma nova oportunidade de receber frutas maduras e deliciosas de uma nova árvore que plantámos, que vimos crescer diariamente, podando ramo a ramo com muito amor.

Mais uma vez, o tempo é sábio e poderoso, dono das nossas escolhas em cada compasso, em cada ponteiro que não pára, em cada momento afirmo isto, porque as folhas das árvores não param de brotar e morrer, os rios não param e desmaiam sempre no mar, o mar não pára de beijar a areia, dando o seu colo a todas as encostas, sejam elas quais forem, rochedos, areia ou mata.

Por estes motivos e podia acrescentar muitos mais inerentes à natureza, esta nunca se resigna, pelo contrário, tenta renascer sempre, todos os dias, fazendo mais outra tentativa todos dias, mesmo que não a vejamos ativa, assim como o arco íris aparece quando chove e está sol, como o sol e a lua que nascem todos os dias, mesmo que estejam tapados pelas nuvens, mesmo que seja lua nova, estes são eternos companheiros e estarão sempre presentes, mesmo tão diferentes, são complementares.

Patrícia Arsénio

16 julho 2015

Estou feliz..

Estou feliz

Estás feliz

Estão felizes

Estarão felizes

Tudo é o fruto de momentos que fazem parte dos momentos vividos ou por viver, a felicidade, para mim é como que um conjunto de situações que nos fazem realmente satisfeito, que nos preenchem realmente o nosso ser mais escondido.

Como já referi anteriormente, ninguém consegue ser o eterno ser feliz, porque ou está a ser hipócrita consigo ou com aqueles que o rodeiam, o que nos dá realmente a felicidade, são momentos de felicidade e destes eu não abdico mesmo de todo, tentando dar valor ao que tenho, ao que ganhei, ao que recebi de os todos que estão ou estiveram a meu lado ao longo desta nova realidade, dos meus amiguinhos lá do céu e até com alguns lá de baixo. Refiro-me a “nova realidade”, porque por mais anos que passem, eu aceito-a até acho que lido bem com ela, mas tenho sempre um ponto de comparação, não é a mesma coisa do que ter vivido sempre com esta deficiência motora, é bem diferente, bem difícil, não me estou a vitimizar, nem sou pessoa para isso, luto até onde não me deixarem ir, com a minha espada de guerreira, tentando sempre desbravar caminhos novos para passear tranquilamente e segura daquilo que me dá sentido nesta minha existência e passagem pela vida, dando sempre o meu melhor ou pelo menos tentando dar.

Para mim estar feliz, é poder estar perto daqueles que amo realmente, a sua presença, a sua companhia, aqueles que estão perto quando preciso, aqueles que mesmo não estando presentes diariamente sei que estou presente em seus corações, assim como os mesmos sabem muito bem que estarão sempre guardados no meu coração, e quando estamos juntos não existem reticências e mágoas, isto para mim são momentos de pura felicidade, mesmo sabendo que isto não acontece com todos, para mim este sentimento é verdadeiro e por isso cultivo-o, rego-o todos os dias e tenho-me dado bem com esta forma de ver, observar e sentir.

Acho que sentir e viver a felicidade depende somente de nós, depende do modo como aceitamos o que a vida nos oferta e da forma que lidamos com a nossa vidinha, como conseguimos interagir com as várias situações no nosso quotidiano.

Em suma, nós recebemos aquilo que damos à vida, se estamos amargurados, recebemos amargura, se estamos bem com a vida, esta encarrega-se de nos presentear com momentos de felicidade e tudo flui naturalmente a nosso favor e sem fazer grandes esforços e malabarismos, às vezes até parece que temos mel para adoçar os corações que se aproximam quando estamos de bem com a vida.

Claro que tudo na minha vida não é sempre um jardim com lindas flores coloridas, também tem flores murchas marcadas pelo tempo, mas o mesmo encarrega-se de as transformar em flores ainda mais vistosas, mais fortes e o vento encarrega-se de espalhar suas sementes ao seu compasso, levando aquilo que é mero acessório, levando a ira do guerreiro com ele e no momento seguinte já passou a ira, voou com o vento, quem me conhece, sabe muito bem que este meu comportamento faz parte da Patrícia.

Eu escolho estar bem com a vida, podia ser uma pessoa zangada, pessimista, amargurada porque perdi ou deixei de viver a vida que planeei e trabalhei e não foi pouco, mas estou viva, ganhei tanto ao longo destes anos, que só posso estar agradecida daquilo que conquistei e orgulhosa daquilo que vou dar à vida, e a mesma, me dará, com certeza, o melhor que tem guardado para mim. É tão bom sentar à beira do mar e ouvir o seu canto, uma pequena brisa soprando no rosto, as crianças a brincar na areia molhada e as suas risadas, a rocha que entra pelo mar e este a cumprimenta vezes sem fim, este momento é um dos momentos de verdadeira felicidade para mim e deixa-me completa, é onde vou buscar a força para continuar o meu caminho, sem dúvida nenhuma, meus amigos.

Patrícia Arsénio


15 maio 2015

O meu ponto de vista

Certo que tenho muitas limitações, que não me desloco sozinha ainda, não me posso defender, preciso quase sempre de uma terceira pessoa no meu dia-a-dia e aceito isto naturalmente desde o dia em que me aconteceu esta pouca sorte na minha vida. No entanto cheguei a um patamar, no qual já consigo fazer muitas coisas sem auxílio de outros, mas como o meu registo de ajuda é muito longo e está muito enraizado, agora apercebi-me e já há algum tempo, que estou a travar outra batalha, cuja que é dar a perceber a quem lida comigo diariamente que já consigo, já sou capaz, que já fiz, que já começo a ter umas asinhas, embora pequenas, tenho a perfeita noção que ainda faltam crescer o suficiente para conseguir voar e sonhar, mesmo que isso implique tropeçar, mas quem é que nunca tropeçou nesta vida.


Não querendo parecer ingrata com aqueles que estão incondicionalmente ao meu lado, sem restrições, por amor, por bem querer, por proteção e tudo mais que fazem e continuam a fazer, eu sinto-os cansados, como se fosse automático existindo uma super proteção, e acho que esta não favorece em nada a minha aprendizagem de como encarar de novo situações que nem se punham em hipótese há alguns meses, mas aceito este facto fazendo parte de outra aprendizagem que todos estamos a fazer nesta luta, que não é só minha e por isto tento colocar e aceitar os conselhos de quem me quer bem realmente, mas não é nada fácil lidar com esta situação de dependência e quanto melhor estou, mais difícil.
                                                                                                        
É fazer de modo a não magoar as pessoas que amo tanto e tanta dedicação prestada comigo ao longo destes anos todos, apenas procuro encontrar um modo de a vida fazer algum sentido, apenas ser eu outra vez a tomar as rédeas da minha vida de volta mais uma vez, depois de tanta luta acho que mereço mesmo, sabendo que ainda sou dependente, e que sempre tiveram e estão ao meu lado incondicionalmente, estando no tempo de querer a minha vida de volta aos poucos, porque a vida não passa depressa, aquilo que vivemos é que passa depressa.

Patrícia Arsénio

03 abril 2015

Novas conquistas...

Realmente acho que estou melhor em várias partes da minha longa e dura reabilitação em todos os níveis, físico, independência motora e no dia-a-dia, achando deste modo que estou no caminho correto, no entanto sinto-me por vezes sozinha, por vezes, sinto que algo me falta para me sentir plena no meu interior mas vou descobrir com certeza ou talvez não, aquilo que me perturba tanto, mas também me pergunto a mim mesma quem é que está sempre satisfeito, contente constantemente e todos os dias, talvez seja uma fraqueza minha, mas ninguém me obriga a ser forte e lutar, faço-o porque o quero nesta luta que travo, embora esteja sempre rodeada por pessoas, família sempre disponíveis e prontos para me auxiliarem incondicionalmente e em qualquer situação e por isto estarei eternamente agradecida, mas também tenho sentimentos e este direito que me assiste.

Patrícia pára mas é com estas lamechices, e termina de melhor maneira que puderes de conquistar cada vez mais e subir mais degraus que é para ti.

A parte motora, sinto que tenho mais contolo nas cinturas pélvica e escapular ou seja ombros e ancas, o controlo do tronco está mais automático, logo implica melhor qualidade no movimento, mas é fruto de muitos alongamentos. Movimentos infinitamente repetidos, algumas dores físicas que já fazem parte da rotina e às quais não lhes dou muita importância, mas sei que estou a trabalhar para mim e por isto não quebro e nem desisto até Deus me permitir alcançar o alto da serra, mesmo com os ventos a soprar noutra direção.

Estes movimentos que ganhei vão permitir alcançar outros patamares, mesmo que sejam pequenos aos olhos de outros, para mim é extremamente importante ter alcançado este estado porque vão permitir alcançar outros níveis diferentes, mais ambiciosos e difíceis, mas como sou muito otimista vou tentar passar as barreiras que encontro no meu caminho.

A minha marcha está mais automática, mais coordenada e sobretudo mais firme ao caminhar, o apoio dos pés já é o correto mas a coordenação ainda falha, ainda não consigo controlar as alterações do tónus muscular, ou seja a espasticidade, no entanto em nada se compara com uns meses atrás. Tudo isto conseguido porque a cintura pélvica está mais livre, mais solta e os movimentos fluem naturalmente e sem esforço.

Os exercícios no colchão, assim como, andar de gatas, de joelhos e rastejar acho que fazem uma grande diferença em pouco tempo, talvez seja por ultimamente ter insistido mais intensamente nestes, ajudando desta forma a uma maior estabilidade central ou seja maior controlo do tronco, porque obriga a uma série de músculos que estavam adormecidos a trabalharem novamente e sobretudo, obriga-os a trabalharem em conjunto e coordenadamente.

Por estes motivos, por sentir o corpo a responder, por ter mais reconhecimento do mesmo, como agora ele está mais no mapa do meu cérebro (já falei acerca desta representação anteriormente), só tenho motivos para estar orgulhosa do meu ter trabalhado, e sou abençoada mesmo por estar a recuperar.

Este trabalho é como alguém, que estimo e respeito bastante, me disse, que uma vez foi visitar o mar e queria trazê-lo consigo, mas depressa percebeu que não o podia fazer mas se unisse as mãos em concha e trouxe-se uma porção de cada vez que o fosse visitar, acabava por ter aquela imensidade sempre junto dele e ia estar sempre junto do mesmo, que tudo se conquista pouco a pouco e trabalhando, estas palavras ecoaram em mim e fez-se luz que temos de ser perseverante, pelo menos, foi assim que as interpretei naquele momento e até hoje. 

Patrícia Arsénio


20 março 2015

Estou...

Cada dia que passa, tenho mais consciência do que deixei de fazer e daquilo que deixei de viver, ao longo destes anos todos, mas ainda tenho mais consciência daquilo que ganhei com esta luta, que nunca irá ter um final certo. Irei lutar para ter alguma qualidade de vida ser independente e autossuficiente, tendo desta forma a minha vida de volta outra vez.

Sei muito bem que cada indivíduo tem as suas batalhas e cada um as enfrenta da melhor forma que sabe, mas existe sempre alguns que levam porrada da vida e desistem, mas eu não, vou sempre lutar por um lugar ao sol, uma oportunidade para alcançar aquilo em que acredito que julgo ser melhor para mim mesmo que não dê certo, mas é um risco que tenho de correr porque faz parte da minha aprendizagem e modo de estar na vida, faz parte da minha essência de guerreira.

Talvez esta aprendizagem da vida e do modo que estou a vivê-la, não fazia sentido se não tivesse acontecido este trambolhão, nem sequer tinha a consciência perante a sociedade como é difícil sermos fora dos padrões exigidos, porque as oportunidades não são nada iguais, em termos socioculturais, monetários e em valores dos semelhantes, cada indivíduo é sempre desigual do outro, cada cabeça a sua sentença e esta ideia assusta-me, ou talvez seja burra por pensar em cor-de-rosa mesmo com a idade que tenho, não sou amarga com a vida porque se o for, ela também encarrega-se de o ser para mim, e isto não está no modo de viver a vida que tracei, mas também tenho as minhas setas e uma espada para a minha defesa e usa-las quando for necessário, que tanto têm-me ajudado e por este auxílio estarei eternamente grata e Oxalá meu Deus assim me permita continuar o meu caminho cheio de pedragulhos, pedras e pedrinhas para alcançar, quem sabe o alto de uma serra mesmo com uma forte ventania soprando no meu peito a empurrar-me em sentido contrário, mas eu acredito mesmo que vou subir mesmo porque se eu não acreditar mesmo, sou derrubada, se não for eu a acreditar mais ninguém acredita, sendo este um facto taxativo de extrema importância.

Patrícia Arsénio


13 março 2015

Coisas!

Coisas transformam-se em mim como a chuva no mar, como um grão de areia no deserto, criando em mim a homogeneidade e harmonia, ou não, e naquilo que fui construindo ao longo desta dura luta para ter a minha vida de volta outra vez, e deste modo alcançar e determinar novos atalhos, novos caminhos e novas etapas para a vida, mas contudo sei que existem alguns riscos inerentes como tudo o que acontece todos os dias na nossa vidinha.

Pois é, continuo a vencer as minhas batalhas diárias, ao sabor de uma rajada de vento, umas das vezes mais amiúde e outras das vezes não tão depressa como eu desejava, para ontem. Mas o tempo continua a ser um bom conselheiro porque este tem o seu tempo e este é soberano e sábio, achando mesmo que ele é o dono dos nossos caminhos e das nossas encruzilhadas, ao longo desta passagem curta pela vida, neste universo que nos é dado a conhecer.

Tento ser determinada como o mar quando embate num grande rochedo tentando a sua sorte ao seu gosto, vontade de vencer os rochedos, moldando, contornando e arranjando novos caminhos para a mãe das águas passar, e tentar derramar a sua água sobre a minha cabeça para me acalmar e olhar para aquilo que conquistei com o meu esforço como uma mãe orgulhosa dos seus filhos criados com muita luta, amor, agradecimento e muita fé. 

Patrícia Arsénio

20 fevereiro 2015

Eu...

Eu penso

Eu travo batalhas

Eu luto diariamente

Eu sou ansiosa

Eu fico frustrada e às vezes muito arreliada

Eu magoou e soou magoada, e muitas das vezes sou derrubada

Eu tenho sorriso fácil e fico alegre com pouco

Eu também fico triste e desiludida, mas passa depressa como uma rajada de vento que venta sobre um campo de alfazema e traz o seu perfume e limpa tudo suavemente

Eu queria um mundo cor de rosa mas ele não o é, às vezes assume tons muito negros, mas com estes acredito que ajudam a superar e a crescermos como seres humanos, fazendo desta forma uma aprendizagem. À medida de cada um, se quisermos realmente aprender e crescer, mas existe quem recuse a fazer esta construção, ficando sempre na angústia e contra o mundo e todos porque esta é a sua opção, sendo esta consciente ou não

Eu tenho momentos de felicidade mas esta não pode ser constante porque eu acredito na felicidade como um conjunto de momentos agradáveis onde nos sentimos realmente satisfeitos e alegres e portanto quem diz que é sempre feliz está a ser desonesto consigo mesmo, porque todos temos picos de humor

Eu talvez esteja a ser demasiado egocentrista e focada em mim mas se não o for não consigo travar as minhas batalhas diárias, mas nunca mas nunca piso nas costas dos outros para ultrapassar qualquer obstáculo e para subir o próximo degrau, porque este comportamento não faz parte da minha essência e modo como encaro esta nossa passagem pela vida, não faças ao teu semelhante aquilo que não queres para ti, em vez disso oferece paz, amor porque a lei do retorno é implacável, mais cedo ou mais tarde recebemos a fatura dos nossos comportamentos e esta fatura pode assumir variados preços

Alguns pensamentos que cercam a minha humilde existência alguns que entendi que podia partilhar neste espaço. Estes são apenas e  somente mais alguns.

Patrícia Arsénio

08 janeiro 2015

Teste à Paciência

Meus caros leitores, nem todas as fases da minha reabilitação são ouro sobre azul, nem estou sempre bem-disposta, também tenho os meus dias de fúria e ventania, pois faz parte da minha essência de lutadora por aquilo que me proponho e aos objetivos que pretendo alcançar para ser independentemente, isto não é fácil porque são anos de rotina para gerir.

Tenho certos dias que nem eu me aturo a mim própria quanto mais às pessoas que lidam comigo diariamente, tenho a noção que não estou a lidar com esta situação nada bem e nem da melhor maneira, talvez esteja cansada de tanta luta, saturada desta rotina, talvez esteja no tempo de dar uma volta na minha vida, ainda não defini muito bem qual o trilho que vou seguir, mas com certeza não vou ficar agarrada ao passado e vou encontra um caminho alternativo para atingir a seta no alvo que defini para a recuperação motora a todo o vapor.

Mas com certeza que vou encontrar uma solução ou alternativa a este sentimento que me causa sufoco e impaciência, pois este só me causa ansiedade e atrapalha o meu caminho, mas não é nada fácil. Talvez devesse imaginar uma luz divina a invadir o meu coração ou pétalas de rosas brancas a caírem na minha coroa e eu contava até 10 para acalmar até passar a fúria, mas felizmente eu sou como o vento tão depressa tenho os meus momentos de tempestade como de acalmia, como se não tivesse passado nada, mas compreendo que nem toda a gente é assim e para não magoar quem está perto vou pedir sempre aos meus amiguinhos lá de baixo e aos de lá de cima para estarem sempre ao pé de mim porque eu acredito que tem que haver equilíbrio das forças que me guiam nesta luta e agradecer todos os dias pelas graças que tenho tido para temperar o meu temperamento de modo que seja justa, também para o meu equilíbrio interior.

Patrícia Arsénio