10 setembro 2013

No mar...

Este ano movimentar-me na água do mar está bastante mais fácil para mim, já consigo andar durante mais tempo sem desequilibro com o balanço das ondas, consigo reagir aos desequilíbrios provocados pelo balanço do mar, mas ainda tenho uma pessoa por perto, para o caso de me atrapalhar com uma onda mais atrevida.
Consigo firmar melhor os pés na areia, sinto bastante diferença em relação ao ano passado, deve-se a melhor estabilidade no tronco e claro um melhor movimento da cintura pélvica, pernas e pés, o que me dá mais estabilidade para permanecer na água mais livremente.
Dentro da água do mar fico livre para realizar os movimentos que me apetecer, porque não se sente tanto a força gravítica, o que facilita os meus movimentos.

Em comparação ao ano anterior, consigo nadar de costas sem rodar a anca e nadar de bruços durante um curto tempo, se for mais prolongado fico aflita e engulo uns pirulitos, mas quem sabe, talvez consiga fazê-lo para o próximo ano.

De um modo geral, estou mais à vontade no mar e com mais confiança nos movimento que faço quando abraço o mar.

05 setembro 2013

Na areia...

As férias têm sido bastante agradáveis com as temperaturas muito boas, de tal modo que tenho tomado uns bons banhos no mar e a água pela sua temperatura convida banhos bastante prolongados. No ano passado a água estava gelada, mal conseguia aguentar a sua temperatura e por isso os banhos eram entrar na água, andar um bocadinho, dar umas braçadas e sair imediatamente, na maior parte das vezes que estive na minha querida praia, a Meia Praia em Lagos.

Sinto muitas diferenças no meu comportamento em relação ao ano passado, quer dentro de água, quer fora de água. É claro que é fruto de um ano de fisioterapia, hipoterapia e muita dedicação minha e de quem me acompanha diariamente e a quem agradeço, porque não e fácil para mim e para os meus pais aguentar o ritmo que é exigido no dia-a-dia.

As caminhadas pela areia estão mais rápidas e com melhor qualidade de movimento ou seja mais coordenação, mais harmonia. Ainda preciso de ajuda para caminhar na areia, mas tornou-se mais fácil e com menos apoio de quem está comigo. Também notei que já vou à procura do meu próprio equilíbrio e quanto mais me seguraram, mais perco a noção do meu corpo e por isso quanto mais ajuda a andar pior. Mas não é fácil porque quem está comigo também tem os ajustes na sua marcha e acaba sempre por interferir na minha marcha e isto só vai deixar de acontecer quando eu conseguir andar sozinha na areia seca. No entanto tenho a noção que não lido bem quando a marcha não corre como eu gostaria e quem leva com o meu mau feitio é quem está comigo, tenho de aprender a estar calada e saber ouvir, tenho de me calar mesmo para não haver guerra com o pai, porque ele não deixa de dar bitaites, tem de ser um esforço de ambas as partes.
Na areia húmida já é muito mais fácil caminhar sozinha, sobretudo quando está a maré vazia porque existe um grande areal e torna-se mais fácil.

Também na toalha da praia estou com os movimentos mais harmoniosos, agora basta uma toalha para movimentar e apanhar banhos de sol, de que gosto tanto, mas sempre protegida do sol. Estes movimentos na toalha parecem inatos e fáceis para quem não tem limitações, mas para mim resultam de anos de trabalho de fisioterapia para chegar ao resultado, mas ainda tenho um longo caminho a percorrer e eu tenho muita esperança.

01 agosto 2013

Um lugar ao sol

Como já referi neste meu desabafo, a evolução da minha reabilitação tem sido lenta, mas tem sido sempre de um modo crescente e com um balanço até bastante positivo, tendo em conta a gravidade e extensão da lesão provocada pela paragem cardiorrespiratória que sofri há uns anos. A partir daquele momento tornei-me outra mulher com metas completamente diferentes.

Resolvi não ficar agarrada ao passado a lamentar o sucedido e enfrentar o touro pelos cornos, fazer uma pega à portuguesa, mesmo correndo o risco de danos colaterais, tanto para mim, como para a família mais próxima que tem lidado comigo ao longo deste anos todos. Não o podia fazer de outra maneira, porque estou a lutar pelo lugar que deixei vago na sociedade, mesmo que haja sempre o medo e o preconceito das pessoas em lidar com aquilo que desconhecem, que é o que tem acontecido e continua a acontecer desde esta nova vida, as pessoas afastam-se e ignoram, mas compreendo porque é um modo de proteção àquilo que desconhecem. Mas tento não dar muita importância porque já sofri o bastante com este fato quase taxativo e implacável.

Por mim, pela minha família mais próxima e por alguns amigos e pessoas que lido diariamente, continuo esta luta tão difícil e desigual sempre com os meus amiguinhos lá do céu a guiarem-me todos os dias e por isso agradeço, mantendo sempre a esperança, acreditando num amanhã muito melhor para mim, e para quem está perto de mim.


04 julho 2013

Florir

Achei interessante partilhar este texto:


"Reconheça a pessoa especial, forte, talentosa, guerreira e poderosa que você se transformou

Sinta-se renovado, preparado e potencializado no dia de hoje.
Isso mesmo, sinta tudo isso e vá em frente.
Chegou a hora de encarar uma nova etapa, pois é tempo de se refazer e, se for preciso, sair das cinzas!
Você pode, você é capaz!
Você merece!
Retome todos aqueles antigos e bons sonhos e dê a si mesmo mais uma oportunidade.
Agora é a sua hora de recomeçar para fazer florir a sua vida. Viva de novo, mas de uma maneira diferente, do seu jeito!
Hoje não é nenhuma data especial e nem precisa ser para celebrar a vida.
Mas você está se encontrando um pouco mais consigo e percebe que é especial, forte, talentosa e bonita você é! Vamos! Acredite em si mesmo!
Tenha fé nessa criatura linda, competente e guerreira que você sabe que é! Um novo ânimo, Tenha mais esperança, mais alegria e mais amor!
E para conquistar isso basta um estalar de dedos. Basta querer.
É uma questão de jeito que você sabe que tem. E vontade nunca lhe faltou, certo?
Festeje, celebre e comemore por ter chegado até aqui.
Nunca mais se compare a ninguém. Não vale a pena! Você é único! Explore mais as suas possibilidades.
E transforme seus sonhos em realidade pois você merece e sabe que pode e que merece.
Lembre-se sempre que a prosperidade te espera.
O seu íntimo deve refletir isso no seu sorriso de hoje"

Sananda Luz




28 junho 2013

Fogo

O fogo, elemento da natureza responsável pela origem do nosso planeta, considerado pelos nossos antepassados como sagrado, desde que há registo da nossa existência como seres humanos.

Na mitologia o fogo é sempre aquele elemento que tem mais relatos com histórias mirabolantes com a sua magia própria e cada uma com o seu misticismo. Este sempre foi idolatrado, porque o ser humano tem necessidade de acreditar em algo que o transcenda e por isso haver tão variadas crenças. Também há quem não acredite, seja agnóstico, mas quem pensa desta forma, deve sentir muita solidão porque só pode contar consigo mesmo, deve ser muito triste.

O sol, astro rei, centro da nossa galáxia, onde dançam os planetas uma valsa harmoniosa, cada um no seu compasso, sem nunca desviar a órbita, à sua volta. É deste astro que provém o fogo que também permite termos as condições ambientais necessárias para a nossa sobrevivência.
Quando observamos a lua, a sua visualização só e possível por causa da luz emitida pelo sol. A contagem do tempo feita pelos homens, sempre baseada nas suas 4 fases, permitiu aos homens quantificar o tempo, foi grande o salto, o que permitiu ajudar na evolução e no desenvolvimento humano ao longo dos tempos. O interior do nosso querido planeta é uma combustão constante de fogo, sempre sujeita a alterações variadas. Este tanto o pode ser aniquilador como gerador de vida.

Quando uma montanha cospe fogo pode ter um efeito de destruição, mas passada a sua fúria, com a ajuda dos ventos, com ajuda da mãe natureza tudo se equilibra outra vez e parece que o fogo, abriu novos caminhos, em direções diferentes, abrindo novas estradas que foram cortadas, e como tudo na vida, se cria um novo ciclo de acontecimentos e cabe-nos escolher o nosso caminho.

Desde que o ser humano descobriu o fogo, aprendeu a utilizá-lo em proveito próprio e de imediato se apercebeu do seu poder e que podia ser a alavanca da sua evolução e luta diária. O fogo pode forjar o ferro, permitindo assim ao longo da história, com a capacidade de raciocino, curiosidade e perspicácia, ser capaz de elaborar objetos e utensílios, que permitiram a satisfação das nossas necessidades de defesa, de sobrevivência e poder, inerentes a cada ser vivo.

Quem é que nunca ficou a olhar para uma fogueira, uma lareira ou mesmo um incêndio, fica-se petrificado com o seu poder de destruição, magia própria, o que transporta a nossa mente a pensamentos contraditórios. É uma espécie de polaridade de sentimentos, que podem ser de destruição ou construção.


O fogo é a combustão da vida, é a força que nos empurra para a vida, alimenta as nossas emoções quando é necessário e também a nossa força interior pode ser feita de fogo, basta querer e acreditar, só depende da predisposição, mas é claro que o poder do fogo tem de ser temperado com o poder da água para haver equilíbrio.



Podia escrever muito mais acerca do poder do fogo, mas deixo aqui a oportunidade de fazerem a vossa opinião. 

17 maio 2013

Profissão

A minha reabilitação tem sido muito lenta, como já referi anteriormente neste desabafo que faço aqui neste espaço. Escolhi este modo de transmitir aquilo que sinto ou já senti e vou sentindo durante este processo, testando assim a minha persistência e daqueles que me rodeiam no dia-a-dia, isto não é nada fácil.


Todos os dias são dias de luta, batalhas que travo comigo mesma e não posso e nem quero desistir porque todos os ganhos que tenho, sei que vou ter melhor qualidade de vida, independência, em suma estou a trabalhar para mim mesma, porque esta agora é a minha profissão.

Na fisioterapia os ganhos são obtidos diariamente, com o objetivo de ter a noção do meu corpo, isto é, não basta senti-lo, tive de representá-lo no meu cérebro novamente como se fosse um novo mapa, através de várias estratégias arranjadas pelos queridos fisioterapeutas, mas este trabalho, ainda está a caminho de ser consolidado, ainda temos um percurso longo pela frente.

As estratégias definidas pelos terapeutas são variadas e adaptadas a cada fase de evolução, dependendo da resposta do organismo a cada estímulo e na hora certa.
Há uma primeira fase que o terapeuta coloca umas talas nas mãos, pés, braços e pernas para tentar mobilizar os membros, lembro-me muito bem desta fase porque é bastante dolorosa e chata, mas já passou há bastante tempo. Atualmente os meus braços e pernas já não têm praticamente limitações, apenas a mão direita ainda tem alguma espasticidade e em alguns movimentos finos tenho mais dificuldades.
É claro que os movimentos não se adquirem com um passe de magia e nem são espontâneos, é necessário muita, muita dedicação no trabalho, quer dos terapeutas que me acompanharam e daqueles que estão comigo neste momento. Este processo de reabilitação, tem tido evolução, lenta e certa, mas há evolução contra todas as expetativas de alguns médicos que me acompanham neste processo. Houve um médico neurologista, numa das consultas, que me questionou se queria ficar toda a minha vida encolhida e a lamentar o sucedido ou se queria lutar, porque ele acreditava em mim e só bastava eu acreditar também, logo conseguia tudo. Este médico já tinha muito calo em casos semelhantes ao meu, então disse para esquecer a matemática durante uns anos e para me concentrar na reabilitação e assim o tenho feito, porque agora recuperar é a minha nova profissão. Este médico nem sabe o quanto aquelas palavra, ditas no tempo certo, foram importantes e sábias para mim e fizeram-me acreditar.

Na minha opinião, acho que tenho encontrado as pessoas certas que me rodeiam ou rodearam, em cada etapa durante esta nova realidade com qual me confronto todos os dias, também tenho tido alguma sorte, mas até esta tem de ser procurada porque não se pode ser passiva nestas situações de limite, contudo não posso de deixar de salientar o quanto é importante o papel da família mais próxima, mais uma vez agradeço a Deus e aos meus amiguinhos lá do céu, porque eles sabem muito bem como têm-me ajudado neste percurso a superar as minhas limitações.

Esta é a nova profissão, não, eu não a escolhi, foi-me imposta pela vida e o meu papel é lutar enquanto tenho munições na arma e quando estas acabarem, luto com a espada, se me a retirarem vou recorrer à minha força interior.

Deixo aqui um pensamento: “O céu é o limite para o que queremos alcançar na vida, todos temos asas para voar, mas alguns ainda não sabem como voar.”

Tenho a noção que nem todos os casos neurológicos não evoluem favoravelmente, há muitos que regridem e há alguns que estagnam, contudo até tenho alguma sorte, porque evolui favoravelmente apesar das expetativas de alguns profissionais de saúde. Alguns deveriam ter mais cuidado com aquilo que dizem e com certos discursos, as mesmas podem influenciar as atitudes de quem passa por esta pouca sorte, quer positivamente, quer negatividade. Falo desta realidade porque tenho lidado com várias situações destas ao longo destes anos todos.

Enfim, o mais importante é acreditar que vamos alcançar o nosso objetivo, seja em que situação for, mas temos de pôr toda a nossa força e acreditar realmente e sem reservas, há que ter esperança.


02 maio 2013

Desabafo

Apesar de estar a evoluir satisfatoriamente e contra todas as expetativas médicas, o governo ou a falta de coordenação entre as entidades responsáveis pela saúde, estão-me a cortar as pernas para andar, digo isto no sentido figurado.

Houve alguém na direção geral de saúde, sem nunca me ter observado, que decidiu que já não precisava de mais sessões de fisioterapia através da segurança social. Das duas uma, ou acham que já não tenho reabilitação e arrumam-me a um canto e já gasto o orçamento previsto para a saúde, ou passo a ser uma moeda de troca para a Troika. Deixei de ser um ser humano com necessidades de tratamentos diários, e passei a ser simplesmente um número para a segurança social.
 
Os médicos que me seguem, um neurologista fisiatra e um médico do centro de saúde ao qual pertenço, elaboram relatórios sobre a minha situação, de forma a poder obter tratamentos de fisioterapia. Acho uma falta de respeito pelos colegas de profissão que avaliam estes relatórios ou mesmo incompetência, falta de consideração e de coordenação pela forma como conduzem os processos na direção geral de saúde.
 
Ao fim de tantos anos de fisioterapia, com tanto esforço físico, desgaste emocional dos meus pais, família mais próxima e gastos monetários, tenho pena de ser mais um número no orçamento de estado, agora que estou numa boa fase de reabilitação. Já enviei novos relatórios acerca do meu estado atual mas continuo sem resposta há cerca de 3 meses, mas há que ter esperança.
 
Mesmo que não tivesse recuperação nenhuma, o que não é o meu caso, as pessoas acamadas ou com grandes limitações, deveriam ter acesso aos cuidados de saúde prestados pela segurança social, de forma a poderem melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, e quase sempre, isso não acontece.









Escrevi este texto quando estava revolta com a situação, mas que me foi imposta. Não o publiquei nessa altura, e entretanto já recebi os resultados da segunda avaliação da direção geral de saúde, referente aos meus relatórios médicos. Finalmente, as sessões de fisioterapia foram aprovadas, já não vou ficar em casa à espera que a chuva caia, a cair no tédio, sem fazer nada por isso, e posso continuar a minha luta.