23 janeiro 2014

Talvez...

Talvez esteja cansada

Talvez saturada

Talvez farta da vida que tenho

Talvez seja um fardo demasiado pesado para carregar

Talvez não o seja

Talvez sinta que estou a rumar contra a maré

Talvez sinta que já devia ter atravessado o rio e dar um salto para a outra margem

Talvez o mundo devesse girar ao contrário e os rios deveriam nascer ao contrário como canta Nuno Guerreiro

Talvez devesse parar de me lamentar e fazer queixas, devia agradecer as graças que tenho tido nestas vitórias.

Há um fato que tenho a certeza, é de que os meus amiguinhos do céu e também os de lá de baixo nunca me abandonam. Esta polaridade tem de existir para haver uma espécie de equilíbrio daquilo que está certo ou errado, do bem e do mal, no entanto, este assunto é muito controverso e subjetivo, a discussão desta matéria seria assunto para outra publicação, funcionando estes amiguinhos como uma consciência ou não, tal como aquela imagem do diabrete e do anjinho.


A minha luta diária e contínua é para a vida, havendo outras pessoas que têm outras lutas, aliás cada indivíduo tem de enfrentar e encarar aquilo que a vida lhe ofertou. Eu escolhi aceitar e ouvir os conselhos dos meus amiguinhos, enfrento a minha luta com um sorriso no rosto, e contra ventos e marés eu vou sorrindo como guerreira que sou até que Deus queira.

https://www.youtube.com/watch?v=Ynu7idgxF4Q&list=UUDqfwLrmqoTkrhig1K_xhLg


15 dezembro 2013

Estrada da vida...

Finalmente, tenho acesso a uma nova credencial para continuação dos tratamentos de fisioterapia através da segurança social. Já não era sem tempo, pois estou à espera desde Julho. Para ter acesso a estes tratamentos, necessito de uma credencial médica que é válida durante 120 dias, no final desse período, paro a fisioterapia até conseguir obter uma nova credencial.

Existem assim burocracias que impedem a realização dos tratamentos, de forma contínua. Uma alternativa a esta situação é obter um relatório definitivo de um neurologista, sobre a minha situação atual, que me vai permitir ter acesso à fisioterapia por tempo ilimitado, até nova avaliação médica.

Sou seguida há vários anos por um neurologista, no Hospital de Santa Maria, mas só tenho consulta marcada em Junho de 2014, portanto tenho que recorrer a outra opção, que é deslocar-me ao hospital da minha área de residência, portanto o Hospital Amadora-Sintra, onde não queria regressar pois foi lá que me aconteceu este acidente, trazendo-me más recordações. Isto significa também, que o relatório vai ser prescrito por um médico que nunca me observou, nem conhece o meu historial, além disso, apesar do pedido para esta consulta já ter sido efetuado pelo médico de família há cerca de 3 meses, ainda não tenho uma data marcada, pois continuo a aguardar por um contacto do hospital referido. Até lá continuo a ter a fisioterapia com interrupções de 120 em 120 dias.

Acho uma falta de coordenação do Sistema Nacional de Saúde, o facto de estar tanto tempo à espera de uma consulta de neurologia, tem um impacto muito negativo, ao nível psicológico e físico, atrasando assim os meus progressos conseguidos até à data, uma vez que tenho que parar as sessões de fisioterapia por ter que aguardar que seja escrito uma nova credencial.

Acho por bem haver regras padrão para ter acesso às credencias, a tempo de evitar interrupções, aliás nem deveria ser de outro modo, mas caramba organizem-se porque os utentes não têm que pagar pelo pouca falta de empenho e pouco profissionalismo.

08 dezembro 2013

A magia da água...

O nosso planeta oferece um dos seus tesouros mais preciosos e essenciais para a existência da vida terrena, a água, que é essencial para todos seres vivos que habitam na Terra.

Ao observar uma fonte nascente de água pura a jorrar água de uma rocha, parei para ver melhor a sua magia, o seu encanto e o seu poder calmante e curativo, respirei fundo e consegui sentir a minha alma no seu estado mais puro. Foi como regressar à infância, deparar-me novamente com a pureza das crianças, a sua inocência e a pureza dos seus pensamentos. Consegui renovar o meu espirito e carregar as armas para esta minha caminhada e seguir na estrada, com curvas, paragens e caminhos a descer e a subir que a vida me ofertou.

Esta fonte de água que nasce da terra penetra no solo dando origem ao verde abundante das florestas, aos rios, lagoas, onde habitam uma inumerável quantidade de espécies vegetais e animais.

As terras que têm a sorte e o privilégio de ocuparem e serem banhadas por caminhos de água são prósperas e rodeadas de vida. 
Talvez seja ousadia minha comparar os percursos dos vários estádios dos rios com os percursos da vida. As lagoas são as águas mais tranquilas, as quedas de água significam que o rio não estanca apesar de ter sido interrompido e a vida continua, também as águas podem tomar outras rotas e tomar o percurso dos seus afluentes até chegar ao seu destino, no tempo certo, às vezes mais lentamente e outras vezes mais rapidamente. Os rios e os seus afluentes podem ser mais ou menos abundantes, dependendo do significado e da importância que atribuímos aos vários caminhos percorridos pela água, tal como acontece no percurso das nossas vidas.


Todas estas águas têm uma morada final que é os sete mares da terra mãe. Os sete mares têm vida, ocupam a maior superfície do planeta, essencial para a sobrevivência de todas as espécies desta nossa querida mãe terra, formando um novo ciclo de vida contínuo de equilíbrio da natureza, assim Omar recebe de braços abertos, sem questionar e com muita humildade as águas de todas nascentes e rios, acolhendo em seu regaço como uma mãe que acolhe os seus filhos e os prepara para a vida e devolve-os de novo à sua sorte, permitindo que escolham os seus caminhos, mostrando assim a sua grandeza.

08 novembro 2013

Os meus pais...

A minha mãe é um poço sem fundo de amor, um lago ao pé de uma colina repleta de flo­res de todas as cores, porque é isso que ela irradia com a sua alegria, um mar imenso, quase sempre calmo, mas também tem as suas marés e com pequenas ondinhas que apagam o meu fogo e do meu pai, o que não é nada fácil.

Agradeço do fundo do meu coração, todo o amor e dedicação por ela dado, sem nunca ser cobrado troco, a isto chama-se amor incondicional. Este amor só é possível ser dado pelos pais, mas nem todos têm a sorte de nascer numa família com estes valores, por isso acho que tenho bastante sorte, apesar das minhas limitações.

Mãe desculpa ser tão refilona e tão impulsiva, mas não o faço com intenção de magoar, às vezes não consigo calar-me e torno as coisas mais complicadas entre mim e o meu pai, porque um teimoso não teima sozinho e eu por vezes tenho a culpa por alimentar, devia calar-me e não ligar, ou mesmo desligar. Vou tentar não ligar e não levar as coisas tão a peito, para haver mais harmonia, porque sei que sofres bastante com estas nossas atitudes.

O meu pai é o pilar desta casa, é feito de pedra, mas está sempre com a ventania no seu interior, sempre com pressa, parece que o mundo vai acabar amanhã, uma ansiedade que às vezes controla e outras vezes não, porque o meu pai é mesmo assim, reage sem pensar nas suas atitudes tal como eu, reagimos a quente, depois quem sofre é a mãe que está sempre a despejar a sua calma para equilibrar esta balança.O meu pai é um amigo, sempre disponível, às vezes até demais, chega a ser um verdadeiro pai galinha, sempre a cuidar dos seus pintainhos, mesmo à distância está sempre atento às suas crias, às vezes ainda adopta algumas como sendo suas, mas é um grande pai, amigo e companheiro.



Agradeço todos os dias por estes pais que Deus me concedeu, às vezes temos as nossas guerrilhas, mas qual é família que não as tem, basta não guardar rancor e mágoa, estando sempre o amor presente, aquele amor puro e verdadeiro ficando assim o nosso coração consolado.

15 outubro 2013

Reconhecimento

Têm sido variadas as estratégias utilizadas pelos terapeutas que trabalham comigo, principalmente nestes últimos anos, mas não quero ser injusta com aqueles que trabalharam comigo anteriormente, porque todos eles tiveram um papel importante e cada um, numa determinada fase da minha longa caminhada, mas com frutos de reabilitação.

Uma entre muitas das estratégias utilizadas desde há cerca de uns 3 anos é a privação da visão com o objetivo de outros sentidos ficarem mais atentos e assim os estímulos tornam-se mais intensos. Esta é feita com auxílio de uma venda preta nos olhos, com o objetivo de desenhar um mapa mental da perceção correta do meu corpo. A sensibilidade ao toque no meu corpo não foi afetada, mas a percepção que tenho do mesmo é que nem sempre é a correta, e por vezes quando realizo esta atividade, fico bastante baralhada, tonta e com dores de cabeça, mas é normal, visto que o cérebro está a ser bombardeado com estímulos novos.

No início desta terapia com a venda nos olhos, ficava deitada no colchão e o terapeuta batia com uma bola no colchão, e eu nem percebia se a bola batia acima, abaixo, do lado direito ou esquerdo do local onde me encontrava. Quando andava de gatas se não tivesse uma parede ou algo como referência, começava a andar às voltas e nem me apercebia, mesmo com referências, era um exercício difícil para mim, mas tinha de ser feito.

Após muito trabalho e muita dedicação minha, dos meus terapeutas e quilos de paciência, atualmente já consegui melhorar bastante, pois estas atividades foram-me impostas diariamente com a venda nos olhos. A perceção do meu corpo está melhor, tornando-se assim mais fácil, rolar, gatinhar, rastejar, realizar o treino de marcha, andar ajoelhada para a esquerda e para a direita e realizar todas as atividades no colchão, atividades estas que no início eram impossíveis de executar sem a venda nos olhos, quanto mais com os olhos tapados, por este fato, fico muito satisfeita com as minhas realizações, sobretudo por ter atingido este patamar da minha longa reabilitação, contra todas as expetativas médicas, dado o meu quadro clínico inicial.


Estas conquistas todas fazem com que continue a lutar por mim e por todas as pessoas que acreditam realmente na minha recuperação física, porque eu acredito realmente que vou conseguir atingir o topo, até onde me deixarem chegar e enquanto a minha família mais próxima conseguir ajudar, porque se dependesse só da segurança social eu estava tramada. Estou muito ofendida, desiludida com o sistema nacional de saúde, não só por mim, mas também por muitas pessoas em situações semelhantes, que não tem este apoio privado que a minha família me tem dado.

26 setembro 2013

Aventura Informática

Já havia algum tempo que queria ter algum contato com aquilo que achava quase impossível para mim, devido ao meu campo de visão ser limitado, mas neste momento a minha visão esta francamente melhor, por este fato, resolvi pôr-me à prova mais uma vez, apesar de ter algumas ajudas técnicas e da Joaninha, para abraçar de peito aberto esta aventura informática.

Tem sido complicado lidar com o computador, retomar a esta atividade na minha nova realidade, tenho muito dificuldades, sobretudo por causa da visão, mas como tenho melhorado lentamente, tenho vencido muitas batalhas às quais me propus, afinal de contas, esta é só mais uma que tenho de vencer e não vale a pena fazer dramas, porque vou conseguir participar no mundo informático, era um desperdício se não ligasse às novas tecnologias.

Tenho conseguido escrever muitos textos, aos quais têm tido acesso, contudo tive muitas zangas com o computador, cheguei a estar meses sem sequer tocar-lhe, foi muito difícil para mim, mas ainda bem que não desisti, agora tornou-se menos complicado, apesar das minhas dificuldades todas.



Há cerca de um ano criei o blog, mas não tive o feedback que esperava.
Então com a ajuda da Joaninha, resolvi criar um facebook e uma página no mesmo para estar em contato com alguns amigos e também dar a conhecer parte da minha experiência forçada, que alterou o rumo do meu caminho, desta maneira também dar alguma força a quem está em situações semelhantes à minha, e dar alguma esperança para as suas vidas.


Esta aventura tem permitido reencontrar amigos, como já referi, ter notícias dos mesmos, alguns que não tinha notícias desde infância, e que deixaram de fazer parte do meu quotidiano, mas ficaram as boas memórias, bons momentos, paródias, muitas partilhas e como é bom saber como se encontram atualmente, fico feliz por este feedback. Tenho também a agradecer muito a todas as pessoas que têm seguido atentamente os meus desabafos e que me têm deixado mensagens de força e apoio, estas são muito importantes para mim.

22 setembro 2013

Desabafo 2

Pois é, mais uma vez voltei a ser um mero número para a segurança social, uma moeda de troca, pelo menos é assim que sinto, pois recusaram outra vez a credencial para as sessões de fisioterapia. Agora disseram que precisam de um relatório médico atualizado do meu neurologista, quando têm em sua posse relatórios dos fisiatras que me acompanham nestas sessões, assim como o relatório do médico de família, acho isto uma falta de um profundo respeito pelos colegas de profissão. Isto significa que vou ficar sem realizar as minhas sessões de fisioterapia, através da segurança social, que são essenciais ao meu trabalho contínuo de reabilitação, até que esta situação seja resolvida.

Eu sou seguida na consulta externa de neurologia no hospital de Santa Maria, mas só tenho consulta em Junho de 2014, será que vou ficar privada da fisioterapia até depois desta data? Será que o trabalho que estou a realizar de momento, vai ter que parar novamente até que esta burocracia seja ultrapassada?

Acho extremamente injusto para mim depois de ter trabalhado tanto, estar como estou e com uma evolução quase milagrosa comparando ao quadro clínico inicial, cortarem-me desta forma as pernas para andar, estou bastante triste e desiludida com o sistema social de saúde.

Eu sei que o estado tem investido em mim, mas isso faz parte das suas funções, dado os descontos que fiz, os descontos de longos anos de vida dos meus pais, tal como outros milhões de portugueses. Sinto-me como uma carta rasgada fora do baralho que já não pode ir a jogo porque está marcada.